domingo, 21 de abril de 2019

Diário de Leitura #115


Dia 115 – Ezequiel 15 – 21. Palavras pesadas, Cada um por si, Prazer na morte, Novo coração, Coroa das terras.

21 de Abril de 2019

      Às vezes pensamos que, por ser palavra de Deus, a Bíblia precisa usar uma linguagem suave, brande, quase anestesiada, mas a verdade é bem diferente; em nossa leitura de hoje veremos como Deus impacta através de palavras duras.

      Nosso texto começa começa com uma comparação feita por Deus; Jerusalém é comparada a uma mulher que foi abandonada ao nascer, mas que foi adotada por um homem que teve pena dela; todos a rejeitaram menos esse homem; o tempo passou e ela cresceu e casou-se com ele. O homem a encheu de roupas finas e joias caras, de forma que essa mulher tornou-se linda e cobiçada por todos (Ez 16.1-14).
      Essa história representa como Deus cuidou de Israel, como Ele o amparou e lhe de deu tudo que tinha, mas a história segue, e segue de forma negativa.
      A esposa desse homem não só o trai, como torna-se pior que as prostitutas, porque elas ao menos recebem a paga, essa mulher no entanto, presenteava seus amantes (vs 33). Seu adultério cresce e ela se deita com todo tipo de homens, podemos ver no verso 25 “abriste as pernas a todo que passava” (ARA).
      Se tal expressão para nós não soa bem aos ouvidos, imaginemos como não soaria naquela época? O texto segue degradando a imagem dessa mulher a ponto de fazer menção aos “vizinhos de grandes membros” (vs 26). Na leitura de amanhã também teremos esse tipo de comparação, onde leremos sobre uma mulher que abandona seu marido e corre atrás de amantes com “membros de jumento e fluxo de cavalos” (Ez 23.20)
      Mas qual o motivo dessa linguagem tão baixa? Simples, mostrar quão baixo o povo de Deus tinha ido, a ideia era chocar. Essas palavra de Deus impactava o povo, eles ouviam a história dessa mulher e percebiam o quanto ela era baixa, sentiam o quanto traiu seu marido; Deus queira que entendesse que era assim que ele se sentia. Embora não seja a linguagem mais adequada para crianças, a profecia (destinada aos adultos) usa a linguagem perfeita para transmitir a mensagem em sua maior intensidade.
      Um detalhe que gostaria de observar é a responsabilidade individual apresentada nesse livro. Deus diz que cada um pagará pelos seus erros, afirma ainda que não cobrará dos filhos os erros cometidos pelos seus pais (Ez 18.18-19). Podemos pegar esse pensamento e estendermos às maldições hereditárias? Penso que sim. Não há nada que separe uma pessoa de Deus, a não ser sua vontade própria, não importa como uma homem viveu ou c quem ofereceu seu filho, se a criança decidir-se por seguir a Deus, Deus a receberá; o sangue de Cristo é suficiente para quebrar todo o tipo de laço.
      “Bandido bom é bandido morto”, essa é uma frase que muitos tem falado recentemente, não venho aqui entrar na temática da pena de morte, mas sim na do arrependimento. Deus nos diz em sua palavra que não tem prazer na morte do ímpio, mas que deseja que ele se arrependa e viva (Ez 18.23). Não podemos torcer pela destruição dos bandidos e malfeitores, mas sim pela sua conversão e consequente arrependimento; lembremo-nos das palavras de Deus ao povo de Edom que se alegrou com a queda de Judá (ver Obadias).
Já perto do fim de nosso comentário de hoje, vemos uma diretiva de Deus que penso ser interessante abordarmos: “Criai em vós coração novo e espírito novo” (Ez 18.31b). Vemos aqui que o novo coração é uma ordem divina. Não é Deus quem muda quem somos, parte de nós o desejo de mudança. É bem verdade que Ele nos ajuda nessa jornada e em última análise dependemos Dele, mas não podemos jogar a culpa no Senhor. Cabe a nós a construção de um novo coração, não precisamos ficar longe de Deus; “convertei-vos e vivei” (v 32).
      Encerro com um pequeno detalhe, Deus considera Israel a “coroa das terras” (Ez 20.6;15). O Senhor levou seu povo para a melhor terra possível. Nosso planeta é lindo e possui terras maravilhosas, o próprio Brasil é uma delas, mas, segundo a Bíblia, Israel é a coroa.

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