quarta-feira, 12 de junho de 2019

Diário de Leitura #167


Dia 167 – I Coríntios 5 – 8. Imoralidade Sexual; Disciplina; Julgamentos; Homoafetividade; Divórcio, Comida sacrificada.

12 de Junho de 2019

     Hoje, no Brasil, comemoramos o dia dos namorados e em nossa leitura, curiosamente, falaremos sobre o casamento, divórcio e relações sexuais. Confesso que não foi planejado, mas essa feliz coincidência nos será proveitosa, partamos pois aos nossos comentários.

     Paulo agora entra em um novo tema em sua carta, um problema que acontecia em Corinto e também em nosso meio, a fornicação, no grego πορνεία – pornéia, imoralidade sexual.
     Lemos que em Corinto havia imoralidade sexual tamanha que nem entre os não cristãos era vista, como exemplo é citado um homem que possui a mulher de seu pai, provavelmente sua madrasta (1Co 1.1)
     Para esse caso, Paulo é claro e direto, essa pessoa deveria ser disciplinada, deveria ser cortada da relação de membros daquela igreja; “Seja entregue tal a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus” (1Co 5.5). Essa recomendação de Paulo consiste na exclusão, essa pessoa deveria ser deixada por conta e risco, para que, sofrendo as intempéries do inimigo e tendo seu corpo destruído (por doenças ou coisas do tipo), encontre o arrependimento e possa ser salvo (1Co 3.5).
     Esse tipo de atitude nunca se é fácil de tomar, e nem deve ser tomada as pressas, mas ha casos em que não há uma aparente reconciliação do pecador. Não podemos nos fingir indiferentes com o pecado; Paulo nos dá uma diretriz maior quando os afirma que o problema não são as pessoas do mundo que agem assim, mas sim os que se dizendo cristãos, procedem dessa forma (1Co 5.11).
     Outro problema, fugindo um pouco da temática sexual, eram as brigas internas, de fato brigas internas em uma igreja já são uma lástima (1Co 6.7), mas lástima ainda maior é levar esse assunto para que Juízes venham intervir (1Co 6.1). Será que não havia ninguém capacitado na igreja para resolver aquela demanda? Não seria melhor sofrer o prejuízo do que dar esse mal testemunho na frente dos juízes?
     Paulo conclui dizendo que devemos ser justos, pois os injustos não herdarão o reino dos céus; então, nos é apresentada uma lista de comportamentos que não condizem com aqueles que herdarão o reino, ou seja, práticas que o cristão não deve ter, vejamos o recorte:

Mas vós mesmos fazeis a injustiça e fazeis o dano, e isto aos irmãos.
Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus?
Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus.
(1Co 6.8-10)
     Gostaria de me deter alguns instantes em duas palavras desse texto que têm gerado muita controvérsias nos dias atuais, são elas “efeminados e sodomitas”. Essas palavras no original são μαλακοὶ – malakói e ἀρσενοκοῖται – arsenokoitai e de forma breve gostaríamos de comentar sobre ambas.
     A primeira delas μαλακοὶ – malakói, significa literalmente “algo suave”, “macio”, “mole”, no contexto no grego Koinê era usado para definir certo tipo de coportamento homossexual (passivo); a outra palavra, ἀρσενοκοῖται – arsenokoitai, é a junção de outras duas, ἄρσην – arsen (homem) e κοίτη – koité (cama, casamento), seu significado é claro, homens que se deitam com homens. Essa palavra era utilizada para designar os homossexuais ativos.
     Muitos tem sugerido outras traduções para essas duas palavras, mas, a luz de seus significados para a época não cabem outras possíveis traduções; pesquisas em outros documentos (não Bíblicos) daquela época, nos mostram que esses termos eram usados dessa forma, simbolizavam homossexuais ativos e passivos.
     Permitam um pequeno parêntesis. Algumas traduções trazem a palavra “sodomita”, e baseado nisso há alguns que tenham usado desse texto para condenar a prática do sexo anal heterossexual (homem e mulher), entretanto não é isso que o texto diz e nem é esse o significado da palavra em questão. O termo supracitado e o contexto das duas palavras refere-se exclusivamente a atividade homoafetiva.
     Não estamos com isso incentivando a prática do sexo anal entre marido e mulher, mas, não podemos afirmar que tal prática é condenada pela bíblia, em especial utilizando-nos desse texto.
     Começamos outra questão com o dito de Paulo que “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convém” (1Co 6.12). Não podemos usar da nossa liberdade me Cristo para os excessos. Nosso corpo é tempo do Espírito Santo e por isso não podemos nos deixar dominar pela impureza sexual.
     Paulo nos fala que aquele que se deita com uma prostituta se faz um só corpo com ela, mas aquele que se ajunta com o Senhor se faz um só Espírito (1Co 6.16-17); portanto devemos fugir da fornicação; todo o pecado que cometemos é fora do corpo, mas a imoralidade sexual nos faz pecar contra nosso próprio corpo, contra o templo de Deus (1Co 6.18).
     Dessa forma, Paulo nos recomenda que cada um tenha sua mulher (ou seu marido), assim “evitamos” os pecados da área sexual; Bom seria, segundo Paulo, que as pessoas não se casassem, assim poderiam se dedicar de forma integral a obra de Deus, mas nem todos têm essa estrutura, portanto cada um deve julgar a si mesmo e ver se pode ou não viver sem um casamento (1Co 7.1;9;28;32;34).
     Aos casados, a recomendação é que não se privem um do outro, ou seja, o sexo deve ser uma constância na vida matrimonial, afim de que Satanás não lance tentações por conta da abstenção do casal (1Co 7.5).
     De igual modo, os casados não devem e separar, se assim procederem, devem ficar sem se casar (1Co 7.10-11), esta palavra coaduna com o que lemos a cerca do divórcio ao estudarmos o evangelho de Mateus (dia 131). Diferente caso é acerca dos viúvos, estes estão livres para se ligarem em novas núpcias (1Co 7.39).
     Encerramos nossos comentários de hoje falando sobre nossa consciência para com nossos irmãos. Paulo explica a questão da comida sacrificada aos ídolos, em resumo ele nos diz que bem sabemos que esses ídolos nada são, comer ou deixar de comer algo que foi oferecido não nos faz melhores ou piores diante de Deus (1Co 8.8), mas essa nossa liberdade não pode escandalizar os que não têm esse entendimento. Se ao comermos algo, escandalizamos nosso irmão, por amor a ele não devemos comer (1Co 8.9-10). Por isso devemos cuidar para não trazer escândalos para os mais fracos na fé.
     Encerro com uma frase de Paulo muito interessante “E se alguém cuida saber alguma coisa, ainda não sabe como convém saber” (1Co 8.2)

Nenhum comentário:

Postar um comentário