Dia 132 – Mateus 08 – 11. Purificação estendida, Perdão vitalício.
08
de Maio
de 2019
Jesus
então desce do monte e com ele uma grande multidão(Mt 8.1); após
seu discurso com palavras cheias do Espírito, muitos o começam a
seguir, quantos o seguiram até o fim ainda não sabemos, mas ao
menos a curiosidade impeliu muitos a o seguir.
Logo
ao descer um leproso vem até Jesus e afirma que sabe que Jesus o
pode purificar (vs 2). É interessante vermos que em nem um momento
de seu discurso Jesus afirma isso; outro ponto que nos chama atenção
é histórico: Pelo que se sabe, nem um judeu nunca havia sido curado
de lepra, salvo Miriam, irmã de Moisés.
A
lepra era tido como uma punição imposta por Deus, dessa forma, os
judeus entendiam que, quando o messias aparecesse, ele poderia limpar
os leprosos. Essa cura ministrada por Jesus assinala sua
messianidade.
Encerrando
essa passagem observamos mais um detalhe, Jesus ao dizer “eu
quero”, usa uma conjugação que nos traz a ideia de ação
contínua, algo como “estou querendo”, ou “continuo querendo”;
Talvez com isso, Jesus tenha querido dizer que sempre quis purificar
os leprosos, ou ainda que desejava o purificar além da lepra. Lemos
que Jesus o tocou e o purificou enquanto falava; é possível que a
ideia da ação contínua indicasse uma purificação maior,
espiritual. Cabe um estudo mais profundo do texto em questão.
Vemos
também uma menção aos que viriam de outras terras e se sentariam
com Abraão (vs 11), enquanto muitos filhos do reino seriam lançado
nas trevas. Penso que aqui Jesus faz uma referência aos gentios,
povo distantes mas que viriam e o serviriam.
Outra
passagem interessante nós lemos no capítulo 9, dos versos 1 ao 8.
Um paralítico é levado até Jesus, que não o cura, mas vendo sua
fé, afirma que os pecados dele estão perdoados. Vale ressaltar que
aqui, Jesus utiliza um tempo verbal muito interessante, o perfeito;
que nos traz a ideia de uma ação pontilinear, ou seja, que ocorreu
em dado momento específico do passado, mas que estende-se ao longo
do tempo; ou seja, ou pecados daquele homem foram perdoados e esse
perdão perduraria.
No
momento de sua conversão, Jesus perdoa-lhe os pecados, dai em
diante, você recebe um perdão vitalício da parte de Deus; essa é
uma ação linear, ou seja, ininterrupta e contínua. Isso nos faz
pensar sobre alguns pontos interessantes; Deus não espera que
peçamos perdão para nos perdoar (após conversos), quando viemos a
Ele, já o encontramos de braços abertos pois o perdão já nos foi
expedido.
Imagine
que um amigo lhe ofendeu pela manhã e foi embora, de tarde você se
lembra do valor da sua amizade e por isso lhe perdoa a transgressão;
a noitinha você recebe, surpreso, a visita desse amigo, que
arrependido vem lhe pedir perdão, então você o abraça e diz que
já o perdoou. Seu perdão foi emitido mesmo antes do pedido;
guardadas as devidas proporções, é da mesma forma com Deus. Não
digo com isso que não devemos nos arrepender e confessar nossos
erros; mas sim que já temos o perdão derradeiro de Deus.
Mas
e a cura? Parece-me que Jesus não planejava curá-lo fisicamente;
lemos no verso 6 que a cura que acontece é para que os escribas
soubesse quem Jesus tinha poder. Vejo aqui que a cura física não
era o plano inicial de Jesus, de fato ele veio para nos trazer a cura
espiritual, isso me reforça a ideia do comentário feito ao leproso;
Jesus queria purificá-lo ainda mais do que ele imaginava.
Temos
aqui mais um fato interessante, a cura de um endemoniado mudo (Mt
9.32); o que para nós é algo simples, tinha um significado muito
forte para os judeus. Na cultura daquela época, acreditava-se que
para se expulsar um demônio era preciso saber o seu nome
(recentemente vimos um exemplo disso no filme “invocação do
mal 2”), sabendo o nome de uma entidade ter-se-ia pode sobre
ela; mas com expulsar um demônio que deixa a pessoa muda? Como
perguntar seu nome? Ninguém poderia o expulsar, somente o messias,
era como pensavam naquela época.
Jesus
aqui dá mais uma prova que de fato era o Messias, utilizando da
crença popular para provar que era o que haveria de vir. Os fariseu,
no entanto, mesmo cientes dessa crença popular, encontraram outra
explicação para o poder de Cristo: Jesus expulsava os demônios,
porque tinha parte com eles (vs 34), Jesus deveria ser ligado ao
Diabo.
No
capítulo 10, em seu primeiro verso, Jesus dá autoridade aos seus
discípulos para que operem maravilhas, o curioso é saber que ele
entrega essa autoridade aos 12, ai incluso Judas. É provável então
admitir que Judas tenhas expulsado demônios, curado doenças e feito
outras coisas conforme a palavra de Jesus.
Na
sequencia, Jesus afirma que a pregação do evangelho lhes traria
perseguições, mas aquele que fosse fiel até o fim, esse seria
salvo. Não podemos entender aqui que essa fidelidade é um meio para
se obter a salvação, se assim fosse, a Salvação não seria pela
graça (conforme Ef 2.8), e sim um mérito; o que vemos aqui é que
os que de fato são salvos são os que perseveram até o fim. Jesus
nos mostra uma evidência de uma verdadeira conversão, a
perseverança; perseverança essa em sua fé na pessoa de Cristo.
O
verso 23 do capítulo 10 provavelmente fez os discípulos pensarem
que sua volta estava eminente. Futuramente pretendemos retornar a
esse verso a fim de lançar maior luz nessas palavras de Jesus;
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