Dia 146 – Lucas 10 – 13. Dependência; O Próximo; O Necessário; Que pai é esse?; Mãe; Perigo;Herança.
22
de Maio
de 2019
Em
dado momento de seu ministério, Jesus comissiona setenta discípulos
e os envia a pregar a palavra pelas redondezas, é interessante notar
que Ele determinou que esses missionários não levassem nada, nem
bolsa (dinheiro), nem alforje (bolsa para objetos) nem nada de
excepcional, eles deveriam ir como estavam (Lc 10.1-4).
Penso
que Jesus queria mostrar a esses discípulos que Deus seria o seu
provedor; embora a ideia de uma viagem sem preparativos pareca uma
sandice do ponto de vista estratégico, a lição que se aprenderia
ali seria de inestimável valor para a fé dos servos.
Na
mesma passagem Jesus lhes fala que não é indigno serem recebidos
pelas pessoas em sua condição
de pregador. Como não tinham levado dinheiro, nessa missão
precisariam ser sustentado pelos outros. O trabalhador é digno do
seu salário (Lc 10.7). Precisamos ajudar e sustentar aqueles que,
chamados por Deus par um ministério integral, se lançam ao campo.
Não me refiro aqui a aproveitadores, antes aos verdadeiros
comissionados por Deus.
Jesus
conta ao povo a parábola do bom samaritano em Lucas 10, a partir do
verso 25; no contexto em questão, Jesus tentava explicar a quem
devemos amar; a expressão “amai ao próximo” nos leva a essa
pergunta: quem é o Próximo?
Um
homem descia de Jerusalém para Jericó, diz Jesus, e foi assaltado e
surrado pelo caminho, sendo deixado quase morto; Um sacerdote passou
por ele mas não o quis ajudar, depois um levita; por fim um
Samaritano o viu caído e o ajudou.
O
sacerdote era o elo entre Deus e os homens, (pelo menos deveria) ele
oferecia o sacrifício pelos pecado e outra série de miudezas
relacionada com o culto a Deus; deveria ser uma pessoa próxima de
Deus, mas essa pessoa simplesmente passou de lado. É provável que
não quisesse se tornar impuro caso tocasse no corpo e descobrisse
que o homem estava morto. Preferiu seguir seu caminho.
O
levita era um ajudante das funções sacerdotais, em
uma contextualização “poderíamos” dizer que passaram por
aquele homem um pastor e um diácono, mas o fato é que nem um deles
quis se deter para o ajudar.
Por
fim veio o samaritano. O judeu não gostava do samaritano, porque
eles eram um povo misturado, eram parte judeus e parte outras nações;
adoravam ao Deus de Israel mas a outros deuses também, eles eram
preconceituosamente considerados impuros e indignos.
Nossas
igrejas hoje em dia também têm os seus “samaritanos”, grupos de
pessoas que são consideradas impuras e indignas; a lista é longa e
qualquer um deles poderia servir de exemplo para a nossa
contextualização; homossexuais, prostitutas, adeptos de religiões
de matriz africanas… Pessoas que fazem a igreja torcer o nariz.
Pois
bem, foi essa possa que ajudou o pobre assaltado. Jesus então
pergunta quem é o próximo e nos deixa uma lição de amor
gigantesca. Devemos amar as pessoas independente de seus rótulos.
O
que é realmente necessário para nossa vida? Podemos aprender com
Marta e Maria. Marta estava ansiosa com os afazeres do lar, corria
para todos os lados a fim de servir a Jesus, estava preocupada em
mostrar serviço (Lc 10.40); sua irmã no entanto, apenas ouvia a
Jesus.
Ao
ser questionado, Jesus afirma para Marta: “Marta,
Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é
necessária; E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será
tirada” (Lc 10.41-42).
Servir
a Jesus é importante, de fato devemos nos esforçar para lhe servir
da melhor forma, mas tudo tem o seu momento, e aquele momento era o
de aprender. Em muitos momentos de nossas vidas, podemos nos tornar
pessoas ativistas; tenho visto muitos homens e mulheres que trabalham
de forma incansável em suas igrejas, mas que não param par a ouvir
a voz de Deus.
Lembre-se
que só podemos dar aos outros aquilo que nós temos, se não
separarmos um momento de nosso dia para para nossa comunhão com
Deus, seremos cada vez mais como Marta, distraída e ansiosa com
nossos afazeres eclesiásticos, e esquecendo-nos que apenas uma coisa
é necessária; Comunhão com Deus.
Existe
uma corrente de pensamento que diz que “Se pedirmos amor a Deus,
ele não nos dará amor, mas sim oportunidades para amar; se pedirmos
forças a Deus, ele não nos dará força, mas sim situações para
que sejamos fortes”. Seguindo essa linha, penso que é melhor
ficarmos calados para que não tenhamos mais problemas!
Entretanto
não concordo com esse tipo de pensamento. Se estamos nos sentindo
fracos e pedimos forças a Deus, é isso que ele nos dará.
Precisamos de força para as lutas e não de mais lutas.
Tiago
nos fala “se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus,
que a todos dá liberalmente” (Tg 1.5). Deus nos dá. Se você está
em uma situação difícil, não tema orar ao Senhor, não pense que
isso lhe trará mais males, afinal “qual
o pai de entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma
pedra? Ou, também, se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma
serpente?” (Lc 11.11)
Uma
dada mulher, feliz e animada com as palavras de Jesus prefere a
seguinte frase “Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos
em que mamaste.” (Lc 11.27); de fato, ter sido a mãe do Messias
foi, sem dúvida alguma, um privilégio. Maria é sem a menor sombra
de dúvidas Bem-aventurada; entretanto, Jesus aproveita a
oportunidade para lançar mais uma pérola dos seus ensinamentos
dizendo: “Antes bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a
guardam.” (Lc 11.28).
Mais
importante do que ter sido parente de sangue de Jesus é o guardar de
suas palavras; chamamos atenção aqui para o verbo “guardar”,
que nesse caso nos traz uma ideia de algo constante além de uma
qualidade de guardador; Devemos portanto ser fies guardadores da
palavra de Cristo, devemos a guardar todos os dias e de forma
perfeita.
Jesus
nos ensina que não devemos temer aqueles que podem destruir nosso
corpo, estes têm um poder limitado, porque uma vez que nos tiram a
vida, não têm mais o que nos fazer (Lc 12.4). Antes devemos temer
aquele que pode lançar a alma no inferno, uma vez que esse sim é um
sofrimento eterno (Lc 11.5).
Precisamos
compreender o real perigo que corremos; a vida aqui na Terra é
curta, e após ela virá o Juízo. Muitos de nós vivem os seus dias
de formas alheias a isso, nosso destino eterno está sendo decido
enquanto aqui vivemos. Devemos estar preparados, porque nosso
julgamento pode chegar a qualquer momento (Lc 12.37) cabe a nós
decidirmos onde estaremos durante a eternidade, se ao lado de Jesus
ou se longe dele. Lembre-se que Jesus nos deixou a promessa da sua
vinda, não sabemos o dia, mas precisamos andar preparados (Lc
12.40).
Vindo
ele a nós, ou indo nós a ele (morrendo), nosso momento virá e
precisamos decidir aqui de que lado estaremos naquele grande fia
Mais
uma vez vemos Jesus não entrando em questões sociais e econômicas;
um certo homem quis levar uma causa sobre a divisão de uma herança
para Jesus; mas o mesmo se escusou de tratar o assunto (Lc 12.14).
Reafirmo aqui que o ministério de Jesus não foi trazer igualdade
social para a terra, antes, veio nos trazer o Reino de Deus, Jesus
veio morrer pelos nossos pecados e nos dar acesso a Deus; ele não
levantou bandeiras socialistas, comunistas ou capitalistas, seu
ministério era o Reino.
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