Marcos
Dia 138 – Marcos 01 – 04. Pobres; As dietas diferentes; Trindade; o Reino; Testemunho demoníaco; Desobediência; Sãos; Odre novo; herodianos; os Seus; Pecado contra o Espírito Santo.
14
de Maio
de 2019
Iniciamos
hoje o Evangelho segundo Marcos, veremos que esse é o evangelho mais
curto, mas ainda assim encontramos nele alguns detalhes que não
encontramos em outros; nossa meta é, na medida do possível, não
comentar os mesmos temas, de forma a tornar esse pequeno diário mais
rico; Vale ressaltar que Marcos não era um dos doze apóstolos, só
lemos sobre ele como acompanhante de Paulo em suas viagens (At
13.13), sigamos então aso escritos de Marcos.
A
começar por João Batista, temos aqui um detalhe curioso, João
possuía uma dieta incomum, alimentava-se de gafanhotos e mel
silvestre (Mc 1.6); provavelmente ele era visto como uma figura
esquisita, uma homem que mora no deserto e tem uma alimentação
incomum; João contrasta em muito com Jesus, no sentido de ministério
e alimentação, ambos estavam em extremos diferentes, mas nem um
conseguiu agradar o povo, demonstrando assim o nível da dureza do
coração das pessoas; o próprio Jesus afirmou “Porquanto
veio João, não comendo nem bebendo, e dizem: Tem demônio. Veio o
Filho do homem, comendo e bebendo, e dizem: Eis aí um homem comilão”
(Mt
11.18-19)
Embora
a palavra “trindade” não seja encontrada na Bíblia, sua ideia
está presente por todas as suas páginas, um momento claro onde
podemos ver de forma separada Pai, Filho e Espírito Santo é o
batismo de Jesus, ali, lemos que João viu o Espírito como uma
pomba, ouviu uma voz que dizia “este é meu filho”, tudo isso
enquanto batizava Jesus. Não digo com isso que o conceito seja fácil
de se compreender, mas não podemos negar sua existência. Conforme
avançarmos pela Bíblia, mais falaremos sobre esse assunto.
Jesus
então começa sua pregação,
algia
Bíblias trazem a tradução para Marcos 1:15 como “É chegado o
reino de Deus”, outras como “O reino de Deus está próximo”,
penso que essa segunda esteja mais correta; no texto em grego, nós
encontramos a palavra ηγγικεν
– éggiken, que nos traz a ideia de algo que se aproximou de nós.
De fato o reino de Deus estava muito próximo daquelas pessoas,
estava a um crer de distância.
Fato
interessante também é
a colocação do verbo na
voz ativa do Perfeito; pela voz ativa temos a ideia de que o reino de
Deus veio até nós e não que foi trazido, de fato, Jesus é o rei,
e ele vindo até nós o próprio Reino até nós veio; pelo Perfeito
temos a ideia de uma ação que, após começar, seus efeitos se
estendem até o presente; fato é que o Reino de Deus ainda está
perto de Nós, muitos vivem toda uma vida próximo das portas do
Reino, mas sem nunca adentrarem por elas, não cometa esse reino;
faça o que Jesus
disse: “Arrependei-vos, e crede no evangelho.” (Mc 1.15)
Um
detalhe interessante que Marcos nos trás são as “tentativas” de
Jesus de calar os demônios; em vários momentos nós podemos ver os
demônios tentando exclamar a divindade de Jesus e o mesmo os
impedindo. Um dos momentos em que vemos esse episódio encontra-se e
em Marcos 1.24.
Penso
que Jesus tinha um motivo para isso, e acredito que seja um motivo
simples. Não devemos crer em Deus por indicativos do demônio, mas
sim pela obra do Espírito Santo. Se os demônios testemunhassem de
Cristo, seria mais fácil para as pessoas suporem de um complô da
parte do inferno; bem poderiam pensar que Jesus era um enviado de
Satanás e que tudo ali não passava de uma encenação. De fato,
mesmo Jesus operando sinais incontestáveis, veremos muitos dos
fariseus e escribas o acusando desse conluio com os demônios.
Um
detalhe rápido sobre uma passagem já comentada, a cura de um
leproso. Jesus o pede que guarde silêncio sobre o milagre, que não
o conte a ninguém, mas o homem o desobedece e espalha a notícia.
“Como posso ficar calado?” ele pode ter pensado, “isso é algo
que o mundo precisa saber!”, então, cheio de boas vontades, o
homem desobedeceu a Deus (Jesus); o que isso causou? Jesus não pode
mais entrar nas cidades e prear as Boas Novas (Mc 1.44-45), teve que
ficar apenas pelas regiões desertas.
Aprendemos
com esse homem que não há boa intenção que valha desobedecer a
Deus, antes de tudo, precisamos cumprir a vontade de Deus, entendamos
ela ou não.
Muitos
criticava Jesus por ele andar com pessoas que a sociedade considerava
como impuras e pecadoras; Jesus então lhes explica que os saudáveis
não precisam de médicos, mas sim os doentes (Mc 2.17).
Não
podemos nos fechar em nossas igrejas e viver em clausura aguardando a
volta do Senhor, precisamos, como Cristo, ir em busca daqueles que
estão perdidos; a igreja que vive em prol de suas programações
internas esqueceu-se de seu verdadeiro chamado e não tem refletido a
imagem de Deus.
Uma
passagem que merece luz para esse comentário de hoje é Marcos 2.21,
quando Jesus fala sobre odres novos e sobre remendos velhos. De fato
não podemos costurar um pano novo para tapar um buraco em um pano
velho, porque o pano novo, sendo mais forte, vai acabar rasgando o
pano velho; desse mesmo modo, os odres velhos (umas bolsas feitas de
pele de animal) não poderiam receber vinho novo, pois a fermentação
do vinho liberaria gases que fariam os odres estourarem; vinho novo
se colocava em odre novo.
Jesus
afirma aqui que o Novo testamento não pode entrar nos corações
velhos, na antiga mentalidade; é preciso um novo coração para
compreender as Boas Novas, é preciso um quebrantamento diante de
Deus.
Por
causa de Jesus, Fariseus e Herodianos se uniram em um só propósito
(Mc 3.6), prender o Filho de Deus. Os Fariseus eram um grupo dos
judeus que eram extremamente “cumpridores” da lei, eram
estudiosos das leis e dos profetas e detinham muito conhecimento
sobre as profecias; por sua vez, os Herodianos eram um grupo político
que militavam em favor da linhagem de Herodes. Ambos os grupos eram
rivais, mas por conta de Jesus, deixaram suas diferenças de lado.
Nem
a própria família de Jesus creu nele em um primeiro momento. Lemos
que o consideraram louco, pensaram que Jesus estava fora de si (Mc
3.21). Ao verem as multidões afluindo para Jesus, devem ter pensado
que aquilo estava indo longe demais. Por certo não compreendiam a
essência da missão de Cristo e nem a urgência do seu chamado.
Ainda hoje, em muitos casos, a família torna-se um ponto complicado
quando se opõe ao chamado de Deus em nossas vidas; nesses momentos,
precisamos pedir sabedoria a Deus a fim de compreender como agir.
Encerramos
hoje falando mais uma vez sobre a questão do Pecado contra o
Espírito Santo; já falamos desse ponto, mas aqui nesse verso (Mc
3.28-30) vemos de forma clara o que falamos em outros momentos; Jesus
faz seu discurso sobre esse pecado “porque diziam: Tem espírito
imundo” (vs 30); dessa forma vemos que, esse pecado nada mais é do
que, de forma deliberada, atribuir ao demônio alguma obra feita por
Deus. Não digo aqui como forma de engano ou equívoco, como falamos
anteriormente, essa era uma atitude deliberada por parte dos
fariseus; eles sabiam a verdade, mas recusavam-se a sujeitar-se a
ela.
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