Dia 149 – Lucas 22 – 24. Satanás; A Espada; Conforto; Amizades; Ajuda; Reconhecimento; Céu; Sono da alma .
25
de Maio
de 2019
Hoje
damos adeus ao Evangelho escrito por Lucas,
mas,
ainda teremos o livro de Atos, escrito por ele. Nesses momentos
finais da vida de Cristo, pretendemos abordar alguns pontos que ainda
não comentamos. Sei que mesmo assim muito sempre é deixado para
trás, mas nosso objetivo não é ser exaustivo.
Judas
é que trai Jesus, dos doze discípulos ele foi aquele que vendeu
Jesus, mas lemos que Satanás entrou em Judas nessa ocasião (Lc
22.3). Fica aqui a questão; Satanás queria que Jesus morresse?
Aparentemente sim, mas será que ele não sabia que assim ele estaria
contribuindo para o plano de salvação das humanidade?
Penso
que podemos tomar algumas linhas de pensamento. Talvez ele não
soubesse, é possível que não tivesse compreendido esse agir de
Deus, afinal, as coisas espirituais se discernem pelo Espírito Santo
(Ico
2.12-16). É possível também quem ele soubesse sim, mas sabia
também que nada poderia ser feito para impedir, então tentou
diminuir o máximo possível o tempo de Jesus aqui na Terra.
Penso
que na verdade o Diabo tentou, em todo o tempo, frustrar os planos de
Jesus; tentou fazê-lo pecar (e se tornar um sacrifício impuro) e o
fazer desistir; ao entrar em Judas, o Diabo planejava, ao meu ver,
arquitetar a situação de maior sofrimento possível para Cristo, a
fim de o fazer desistir ou pecar.
O
verso 36 do capítulo 22 também nos é confuso, Jesus manda que se
compre uma espada, mas a frente, no entanto, ele mesmo recrimina o
uso da arma. Muitos entendem esse texto como uma linguagem figurada
de Jesus.
Antes,
ao enviar os seus discípulos ele os manda não levar bolsa e nem
alforje; mas agora a situação mudou; Jesus afirma que eles devem
levar. Com isso ele diz que eles não serão mais bem recebidos pelas
pessoas.
Jesus
ainda diz que “quem não tem espada, venda a capa e compre-a”.
Muitos
aqui entendem que Jesus queria dize que os discípulos deveriam temer
mais as pessoas do que as intempéries do tempo ( a espada agora,
protegeria mais que a capa).
Ao
final do verso, os discípulos afirma ter duas espadas e Jesus diz
“Basta”. Ah que entenda que ai podemos ter um duplo sentido,
Jesus poderia estar falando que duas espadas eram suficiente, mas
também que já bastava daquela conversa, pois percebeu que os
discípulos não compreendiam o que ele dizia.
Jesus
então, já no Getsêmani, afasta-se dos discípulos “um tiro de
pedra” (20 a 30m) e põe-se a orar. A Bíblia nos diz que um anjo o
apareceu para consolar (Lc 22.43), mas Deus não lhe tirou a agonia
do coração (vs 44). Em momentos de dificuldade, nós podemos contar
sim com o consolo de Deus, mas teremos que enfrentar por nossa conta
as dores e os sofrimentos. Não é errado sofrer, não indica falta
de fé ou de intimidade com Deus; verdade seja dita, todo o
sofrimento que Jesus teve foi oriundo se sua intimidade com Deus.
Muitos,
hoje em dia, têm pregado um evangelho triunfalista, da vítora e da
alegria, mas a verdade é que o evangelho bílico em nada se
assemelha a isso; antes é renúncia, perseguição e sofrimento.
Pilatos e Herodes eram inimigos, mas por conta de Jesus tornaram-se
amigos (Lc 23.12). É curioso como no intuito de prejudicar a Cristo
vemos várias pessoas se unindo. No
caso em questão, a falta de saber como agir em relação a Cristo,
acabou por estreitar os laços de amizades dos antigos inimigos. Fico
a me perguntar, se o nome de Cristo uni inimigos no ódio, porque
separa tantos irmãos no amor?
Os
soldados pegaram um certo Simão Cirineu que vinha do campo para
ajudar Jesus a levar sua cruz, por certo temiam que o esforço fosse
demais e que Jesus morresse antes da crucificação. Ao olhar para
esse texto vejo como nós podemos ajudar nossos irmãos a levarem as
suas cruzes. É fato que cada um deve levar a sua cruz, mas nós
podemos tornar essa tarefa menos árdua, somos capazes de ser pesos
ou bálsamos na vida das pessoas.
Já
na Cruz, encontramos o episódio onde um ladrão zomba de Jesus, mas
o o outro o defende; suas palavras nos são interessantes quando diz
“Tu
nem ainda temes a Deus, estando na mesma condenação?” (Lc 23.40).
Aqui o ladrão reconhece que de fato Jesus era Deus, e questiona se
seu amigo não teme a Deus por si.
A
palavra traduzida por “temer”, no original é φοβῇ
– phobé,
medo. Um detalhe da tradução que comentamos como curiosidade é o
uso da voz média. No português temos a voz ativa, quando o sujeito
executa uma ação (a grosso modo), como em “Eu
comprei uma caneta” e
temos a voz passiva, quando o sujeito recebe a ação, como em “A
caneta foi comprada por mim”;
mas o Grego, além dessas duas vozes, possui a Média. A vós média
(a grosso modo), ocorre quando o sujeito executa uma ação em si
mesmo, ou com interesse próprio. Nesse caso, temos a presença da
vós Média.
O
que o ladrão perguntava ali para seu companheiro, era se ele não
tinha medo que Deus o punisse de alguma forma. Mas isso é apenas um
detalhe, o ponto alto desse texto é de fato o reconhecimento da
Messianidade de Jesus.
O
Ladrão então, reconhecendo Jesus como o Cristo, pede que este não
se esqueça dele ao entrar no seu reino, aqui significando o Céu.
Jesus então lhe conforta dizendo que, naquele mesmo dia, ambos
estariam no paraíso.
Aqui
vemos um indicativo contra a doutrina do Sono da Alma, muito pensam
que após a morte, segue-se para a alma um estado de sono até o dia
do juízo, mas aqui, o próprio Jesus afirma que aquele homem,
estaria com ele no paraíso naquele dia. Mais a frente falaremos
sobre a questão do Julgamento e clarearemos os tipos de julgamentos
que existirão.
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