João
Dia 150 – João 01 – 03. É Deus; É criador; Poder; O Único; Vinho; De novo ou do alto?; Ultimato .
26
de Maio
de 2019
Iniciamos
hoje o último dos evangelhos, o Evangelho segundo João. Além de
ser o nosso último contato com a narrativa da vida de Jesus, esse
evangelho também foi o último a ser escrito. João por certo,
sabendo da existência dos demais evangelhos, optou em escolher uma
linha diferente, em seu texto vemos uma forte defesa de Cristo como
homem, mas também como Deus; João é um evangelho bem diferente dos
demais, vamos então a ele.
“No
princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era
Deus.” (Jo
1.1), é assim que João inicia seu evangelho, no princípio de tudo,
ele não se preocupa em traçar uma genealogia de Cristo, mas o
coloca no Princípio com Deus, ele afirma que Jesus é Deus. Muitos
pensam em Jesus como um homem, ou um meio termo, algo acima dos anjos
e abaixo de Deus, mas o fato é que Jesus é Deus.
A
natureza de Cristo é única, só Jesus é homem e Deus, ambas as
naturezas coexistem de forma completa em Cristo, como explicar isso?
Na
sequencia vemos mais uma demonstração do poder de Jesus, “Todas
as coisas foram feitas por ele” (Jo 1.3). Algumas tradução trazem
“Todas as coisas foram feitas por intermédio dele”. Ao olharmos
no grego, encontramos a expressão δι
αὐτοῦ ἐγένετο – di autú egueneto. A
prepisição δι
,aqui
presente, pode ser traduzida das duas formas, mas, penso que a
tradução através seja mais fiel ao seu sentido original.
Em
ambas as traduções, Jesus é o criador das coisas, pois quando
lemos que o mundo foi criado “através” dele, temos um sentido de
instrumentalidade, ou seja, ele foi o instrumento pelo qual o mundo
foi criado. É como se a trindade, ao decidir criar todas as cosias,
tivesse incumbido ao filho ser o executor dessa obra.
João
nos mostra o contraste presente na vida de Jesus, Ele estava no mundo
que criou, mas o mundo não o recebeu (Jo 1.10). Mas, a todos que o
receberem, nós lemos, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de
Deus, aos que crêem no seu nome;
Nem todos são filhos de Deus, somente aqueles que receberem a Cristo, a esses lhes será concedido o direito (ou privilégio, como também podemos traduzir ἐξουσίαν - eksusíav) de serem feitos filhos de Deus.
Nem todos são filhos de Deus, somente aqueles que receberem a Cristo, a esses lhes será concedido o direito (ou privilégio, como também podemos traduzir ἐξουσίαν - eksusíav) de serem feitos filhos de Deus.
No
verso 14, encontramos a expressão μονογενοῦς
– monoguenús,
muitas
vezes traduzida por unigênito; é curioso que essa mesma palavra
também significa o único de sua espécie; A mesma palavra é
encontrada em Hebreus 11.17, quando lemos que Abraão ofereceu
Isaque, seu filho unigênito. Ora, bem sabemos que Abraão já havia
tido outro filho; Isaque não era seu unigênito, mas era o único de
sua espécia, era seu único filho com Sara.
De
fato, Jesus é único, todos os homens são apenas homens, Pai e
Espírito são Deus, ms só Jesus possui duas Naturezas, somente ele
é completamente humano e completamente Deus. Alguns de nós, como
lemos, receberam o direitos de serem feitos filhos de Deus, mas Jesus
continua sendo μονογενοῦς
– monoguenús,
pois não temos a mesma natureza dele.
Abrimos
um pequeno parêntesis,
apenas para comentar que foi Deus quem mandou João Batista batista
batizar com água (Jo 1.31), Deus o havia dado essa missão e lhe
avisou que, sobre aquele que visse descer o Espírito, esse era o
Cristo.
O
primeiro milagre de Jesus foi em um casamento, lemos como transformou
a água em vinho (Jo 1. 3-9). Curioso é observar que Jesus não teve
problemas em fabricar vinho; muitos afirma que o vinho que Jesus fez
não possui-a álcool, mas não podemos pensar assim por dois
motivos; primeiro porquê o meste-sala provou e o aprovou como um bom
vinho, sendo ele entendido de vinho, teria percebido a diferença; em
segundo lugar, a palavra ali encontrada é οἶνον
– óinon, que é utilizada apenas para vinhos alcoólicos,
diferente da palavra utilizada para vinho sem álcool.
Jesus
fez muitos outros sinal, (Jo 2.23) e muitas pessoas passaram a crer
nele, mas o próprio Cristo sabia que não podia confiar e todas,
pois a todos conhecia; muitos daqueles que se dizia seus seguidores
era apenas pessoas curiosas, não estavam dispostas a de fato o
seguir. Ah uma grande diferença entre saber que Jesus é Senhor e o
ter como Senhor.
Outro
fato curioso encontramos na conversa de Jesus e com Nicodemos, na
expressão “é necessário nascer de novo” temos um belo jogo de
palavras; a expressão traduzida como “de novo” é oriunda da
palavra ἄνωθεν
– ánuten, que de fato significa “novamente”, mas também
significa “do alto”. Talvez por isso Nicodemos tenha se
confundido com a fala de Jesus e tenha escolhido o sentido que mais
considerou “místico”.
Fato
é que ambos os sentidos se aplicam, em Cristo somos de fato uma nova
criatura, mas para isso precisamos nascer do alto, ou seja, do
espírito.
Penso
que Jesus quis usar o significado “do alto”, mas Nicodemos não o
compreendeu; nesse verso vemos como Jesus se esforçou para lhe
explicar, mostrando que Cristo sempre se interessou em clarear seus
ensinos para aqueles que verdadeiramente o buscam.
Pulamos
o famoso João 3.16 e encerramos com o João 3.36, de forma clara
esse versículo resume todo o evangelho, de forma que nos escusaremos
de o comentar e lhe apresentaremos na íntegra, a fim de que o leitor
tome suas próprias conclusões: “Aquele que crê no Filho tem a
vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas
a ira de Deus sobre ele permanece. (Jo 3.36)
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