Lucas
Dia 143 – Lucas 01 – 03. Espírito de Elias; Incredulidade; virgindade; humildade; Fortalecido; Nazaré vs Belém; Simeão; Infância; frutos; genealogia; Deus fala.
19
de Maio
de 2019
O
Evangelho que começamos hoje foi escrito por Lucas, um médico
gentio; por isso teremos a oportunidade de observar um outro ponto de
vista dos acontecimentos. Em seu evangelho, veremos uma atenção
muito maior às mulheres e uma preocupação grande em dados
históricos e geográficos. Lucas não foi testemunha ocular dos
acontecimentos, mas informou-se minunciosamente dos acontecimentos
(Lc 1.3) a fim de produzir seu texto. Lucas se torna assim o primeiro
historiador do cristianismo.
Lucas
conta os detalhes do nascimento de João batista, em seu evangelho
entendemos a relação de João batista e de Elias, João teria seu
ministério no mesmo espírito e poder e Elias (Lc 1.17), ou seja,
seu ministério seria como o de Elias, ele converteria muitos de
Israel ao arrependidense, conforme lemos no restante do versículo.
Seu
nascimento também foi sobrenatural, seus pais eram já idosos e sua
mãe estéril; foi-lhe avisado a
seu pai, Zacarias, através de um anjo, o seu nascimento. Zacarias,
no entanto duvidou da palavra do anjo e pediu uma prova, algum sinal
de que aquilo se realizaria (Lc 1.18), o sinal foi claro; por sua
incredulidade, ficaria mudo até o nascimento de seu filho.
Maria,
a mãe de Jesus não foi incrédula, mas não compreendeu como
poderia engravidar, uma vez que era virgem (Lc 1.34). Ainda hoje há
que alegue que a gravidez virginal de Maria é um mito do
cristianismo ou um equívoco de exegese, mas o texto de Lucas é
claro em sua leitura, Maria era uma jovem que nunca havia tido
relações.
Há
uma passagem muito interessante na gravidez de Maria e Isabel (mãe
de João e esposa de Zacarias). Maria resolve visitar Isabel, sua
prima, e
a Bíblia nos conta que, ao aproximar-se de Isabel, João, ainda na
barriga de sua mãe, mexeu e Isabel foi cheia do Espírito Santo. (Lc
1.41)
O
ministério de João batista estava ligado a Jesus, sua função
nessa terra era preparar o caminho para o Messias; penso que o
Espírito Santo tocou o bebê de Isabel, quando o pequeno Jesus se
aproximou. Não vejo aqui um testemunho para João, mas sim, Deus
mostrando para as mães que aquelas duas crianças impactariam o
mundo.
João
nasceu e era notório a todos que seu nascimento fora cercado de
detalhes sobrenaturais, a
Bíblia nos afirma que as pessoas guardaram em seus corações esses
acontecimentos e ficaram a se perguntar “Quem será pois esse
menino?” (Lc 1.66). Ninguém sabia ao certo em que aquele pequeno
bebê se tornaria, mas não havia dúvidas que grandes coisas seriam
operadas por ele.
O
ministério de João, no entanto, não tem brilho, pois é ofuscado
pelo de Cristo; mas joão prestou um grande serviço ao evangelho,
ele pregava e convidava as pessoas a se arrependerem, ele preparou o
coração de multidões para a chegada de Jesus (Lc 1.76). Em uma
humilde comparação, João foi aquele que tocou a bola para o
artilheiro Jesus, João batista não fez o gol, mas não podemos
ignorar seu trabalho.
Sobre
sua infância não sabemos muito, apenas que ele se “robustecia em
Espírito” (Lc 1.80) e que esteve no deserto até o início de seu
ministério. João é ates de tudo, um exemplo de humildade para
todos nós, mas ao olharmo mais de perto esse último verso, podemos
extrair mais uma pequena pérola.
A
expressão “robustecia no Espírito”, em grego é composta pela
palavras ἐκραταιοῦτο
πνεύματι –
ekrataiúto
pneúmati, e pode ser traduzida também como “era
robustecido
(ou fortalecido,
mas com uma ideia de ação contínua, “robustecido continuamente”)
pelo Espírito”; Nesse caso, uma tradução possível é a de um
caso instrumental, o que nos indicaria que o Espírito era o meio
pelo qual João era
fortalecido.
Vale
lembrar que estamos diante de uma voz passiva no grego, portanto,
penso que a “tradução” que exprimira melhor a ideia do texto
seria a que diz “João era continuamente fortalecido pelo
Espírito”.
Desde
a sua infância, o Espírito Santo foi preparando João para o seu
ministério; podemos ver aqui o cuidado de Deus e sua ação e
presença constante sobre a vida de seu profeta. Deus
chama pessoas para missões específicas, chama-os com propósitos de
vida e a história de João nos deixa ver isso de forma muito clara.
De
forma rápida falemos sobre o nascimento de Jesus, embora seja
chamado por muitos de “Jesus de Nazaré”, pois foi em Nazaré que
cresceu, Jesus nasceu em Belém, pois seus pais foram forçados a
viajaram para la a fim de participarem de um censo (Lc 2.4-7), embora
pense que aquela viajem não agradou os pais do menino, ela era
necessária, pois havia uma profecia que nos informava que o Messias
nasceria em Belém (Mq 5.2); mais a frente algumas pessoas acusarão
Jesus de não ser o Messias por pensarem que nasceu em Nazaré.
Ainda
bebê, um profeta chamado Simeão trás uma mensagem sobre Jesus para
a sua mãe, nós lemos “E Simeão os abençoou, e disse a Maria,
sua mãe: Eis que este é posto para queda e elevação de muitos em
Israel, e para sinal que é contraditado (Lc 2.34). Esse seria Jesus,
um homem pelo qual muitos serial elevado, mas outros cairiam. Essa
verdade pode ser percebida até os dias atuais, não se pode
tornar-se neutro em relação a Cristo, ou aceitamos ele como nosso
Senhor e salvador, ou o rejeitamo; não existem “encima do muro”.
Lucas
também é o único autor que nos narra alguma passagem da infância
de Jesus, podemos ler que desde cedo Jesus era diferente; em
determinada passagem (Lc 2.46-47) os doutores da lei se
impressionaram com ele e o estavam ouvindo e lhe interrogando. Penso
que muitos anos depois, alguns desses doutores o reconheceram como
Messias e outros lutaram pela sua crucificação. Vemos ainda, na
mesma passagem que Jesus já tinha ciência de sua condição de
Filho de Deus e de que possuía uma missão maior (Lc 2.49), mas
ainda assim era uma criança sujeita aos seus pais (Lc 2.51).
Até
onde Jesus sabia das coisas? Ninguém ao certo sabe; Jesus é e era
Deus, mas ao nascer, abriu mão de muito de si e esvaziou-se a si
mesmo (Fp 2.7), de forma que penso que Jesus,
quando andou entre nós, não sabia de todas as coisas, antes
sabia-as conforme o Espírito lhe revelava
Já
em nossos comentários finais, lemos sobre a pregação de João
batista, e nela encontramos uma dica para reconhecermos alguém
verdadeiramente arrependido; “Frutos digno de arrependimento” (Lc
3.8). Arrepender-se é ago que obrigatoriamente precisa gerar frutos,
não existe arrependimento sem frutos, a isso chamamos de remorso.
Observemos o fruto que temos produzido e saberemos quem de fato
somos; olhemos o fruto que nossos amigos produzem e assim
conheceremos as árvores que são.
Vemos
então a genealogia de Jesus (Lc 3.23-38) e observamos que em lucas
ela é diferente de Mateus. Não se sabe ao certo o real motivo, as
genealogias eram algo sério para os judeus e se houvesse um erro na
Bíblia, de certo não seria nesse ponto. Basicamente dois argumentos
são levado em consideração. O primeiro deles é a ocultação de
alguns nomes e a substituição de outros; algumas pessoas eram
chamadas de mais de uma forma (como Pedro ser chamado de Cefas). O
segundo argumento diz que, aliado a isso, Lucas traçou uma
genealogia de Maria e não de José.
Encerro
com o seguinte verso: “Sendo
Anás e Caifás sumos sacerdotes, veio no deserto a palavra de Deus a
João, filho de Zacarias” (Lc 3.2). Os sumos sacerdotes eram Anás
e Caifás, mas foi com João (filho de um sacerdote) que Deus falou.
Mais a frente veremos como esses sumo sacerdotes estavam distantes do
Senhor, isso nos mostra que de fato Deus não olha posições e nem
títulos, mas sim o coração.
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